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COMO ELES
INTERAGEM COM PLANTAS?
Morcegos, de um modo geral, apresentam quatro tipos de interações básicas com plantas:
- o comensalismo, ao utilizarem partes da planta como abrigo, sem causar-lhe prejuízo;
- o parasitismo, quando consomem partes da planta sem matá-la, causando-lhe prejuízo;
- a predação, caso matem as sementes ao consumirem os frutos;
- o mutualismo, quando ambas as partes de beneficiam da interação, por exemplo na polinização.
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Tendo em vista que o comensalismo não afeta a planta, o parasitismo não chega a ser muito intenso e predação também não é muito forte (já que os morcegos não costumam danificar sementes, com exceção do gênero Chiroderma), o mutualismo é a interação que desperta mais interesse, devido à sua grande importância ecológica. Há duas formas básicas de mutualismo entre morcegos e plantas: a polinização e a dispersão de sementes.
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| Nectarivoria e Polinização |
Na polinização, os morcegos visitam diversas flores em uma mesma noite à procura de néctar (ou pólen, em alguns casos), carregando os grãos de pólen de uma a outra, o que possibilita a reprodução cruzada até mesmo a quilômetros de distância. Essa interação é muito importante para o processo de reprodução sexuada de algumas espécies vegetais, que por sua vez possibilita o fluxo gênico e, consequentemente, aumenta a variabilidade genética de cada população, tornando-as menos vulneráveis a doenças e perturbações. Na maior parte das vezes, quem participa da polinização aqui no Brasil são os morcegos filostomídeos da subfamília Glossophaginae, embora alguns Carolliinae e Phyllostominae também possam agir como polinizadores.
Morcegos glossofagíneos são tão especializados na nectarivoria, que uma espécie de Anoura do Equador pode ter a língua com 150% do tamanho do corpo, sendo guardada parcialmente na cavidade torácica! Veja o artigo sobre o "linguarudo" na revista Nature. Nos ambientes urbanos, é muito comum os morcegos nectarívoros se alimentarem também de fontes artificiais, por exemplo, água com açúcar em bebedouros de aves.
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Artibeus lituratus & Caryocar sp. (pequí)
© Rogério Gribel |
Glossophaga soricina & Caryocar sp. (pequí)
© Rogério Gribel |
Leptonycteris sp. & cactácea
© Merlin Tuttle, BCI |
Glossophaga soricina & bebedouro de aves
© Gabriel Lehto |
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Frugivoria e Dispersão de Sementes |
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A outra forma de mutualismo, a dispersão de sementes, é definida como o transporte de sementes para longe da planta que as originou. Esse processo é muito importante, por quatro razões básicas:
ele aumenta as taxas de sobrevivência das sementes e as taxas de estabelecimento das plântulas, porque a mortalidade costuma ser bem maior perto planta-mãe, onde há mais ataques de patógenos e predadores;
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ele possibilita que as sementes sejam espalhadas por grandes áreas, aumentando a chance encontrarem locais propícios à germinação;
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o transporte e estabelecimento de indivíduos em populações diferentes favorece o fluxo gênico e o aumento da variabilidade genética, trazendo os benefícios já comentados anteriormente;
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todas essas vantagens conferidas às plantas dispersadas por morcegos alteram sua capacidade de competir por espaço nas florestas tropicais, alterando assim a própria estrutura e dinâmica desses sistemas.
Desta forma, o processo de dispersão de sementes é fundamental na regeneração de áreas desmatadas, pois através dele sementes de plantas pioneiras podem chegar a clareiras e demais áreas abertas em florestas, dando início à sucessão ecológica. No Brasil, os principais envolvidos na dispersão se sementes são os morcegos filostomídeos das subfamílias Stenodermatinae e Carolliinae, porém alguns Phyllostominae e Glossophaginae também podem atuar como dispersores.
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Artibeus jamaicencis
& Terminalia sp.
(chapéu-de-praia)
© Merlin Tuttle, BCI |
Carollia perspicillata
& Piper sp.
(pimenteira, jaborandí)
© Merlin Tuttle, BCI |
Sturnira lilium
& Solanum rugosum
© Merlin Tuttle, BCI |
Artibeus jamaicensis
& Terminalia cattapa
(chapéu-de-praia)
© Sávio Drummond |
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